Martin Henkel, pesquisador da SeniorLab, palestrou no Prato Principal da ACI NH | Foto: Elizabeth Renz
As cidades de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Ivoti têm, juntas, 68, 4 mil pessoas com 60 anos ou mais, que movimentam R$ 2,1 bilhões ao ano. Esse é um dos dados apresentados por Martin Henkel, fundador do SeniorLab Mercado e Consumo 60+, em palestra no Prato Principal que a ACI realizou nesta quinta-feira, 25, no Centro de Eventos Swan Novo Hamburgo. O evento foi coordenado pelo presidente Robinson Klein e teve como tema O RS Como Motor da Economia Prateada.
Henkel, que nasceu em Novo Hamburgo e reside atualmente em Belo Horizonte, afirmou que, nessas cidades, um em cada cinco habitantes tem 60 anos ou mais, e isso já mudou a relação com marcas, produtos e serviços. Em Novo Hamburgo, a população 60+ já supera em número a de 0 a 14 nos.
Conforme projeções do SeniorLab com base em dados brutos do IBGE, a população do Rio Grande do Sul parará de crescer em 01 de julho próximo devido ao desequilíbrio entre o número de nascimentos e o de óbitos. “Seremos o primeiro Estado a atingir a marca e, a cada dia, o estado terá oito pessoas a menos”, disse.
As gerações que habitam os 60+, conforme o palestrante, são três. Baby Boomers é formada por pessoas entre 61 e 80 anos (27,2 milhões de pessoas ao todo, no país) e renda de R$ 906 bi. Teen Boomers, ou geração silenciosa, inclui pessoas com 81+ (5 milhões) e renda de R$ 150 bilhões. Já a geração de ferro, ou geração grandiosa, compreende indivíduos com 97+, totalizando 37 mil pessoas no país, com renda de R$ 1,2 bi.
Benefícios ao varejo
O crescimento da população 60+ impacta a oferta de mão de obra e os serviços públicos, mas traz consigo boas perspectivas para o varejo, por exemplo, devido ao tíquete médio mais elevado das compras desse público. “O tíquete médio do shopper 60+ sobre o tíquete geral chega a ser 66% maior nas compras de Dia dos Namorados, de acordo com pesquisa realizada pela CDL Porto Alegre, que indica um valor médio de R$ 320,00 da compra nesta data”, disse Henkel.
Impactos no marketing
O palestrante, que estuda o segmento 60+ há mais de uma década, destacou que a fisiologia e a biologia no envelhecimento influenciam diretamente o marketing das marcas. As alterações físicas vão da audição à fisiologia e estrutura da pele, o que sugere, por exemplo, que as cores utilizadas em anúncios, materiais promocionais e telas devem ter maior contraste. Além disso, devem ser evitados muitos tipos de letras diferentes (fontes) na mesma peça, pois atrapalham a cadência da leitura. “As fontes indicadas para o leitor 60+, especialmente em telas, são Verdana e similares”, informou.
Por seu elevado potencial de consumo, a atenção dos 60+ é cada vez mais disputada, e as marcas devem adequar sua comunicação para obter sucesso. Devido à diminuição da sensibilidade aos sons, vozes mais graves devem ser usadas para facilitar a compreensão de áudios e mensagens.
Ao contrário do que possa imaginar, os 60+, em regra, não sofrem de tecnofobia. Cerca de 80% têm smartphone, o que significa 28 milhões de pessoas no país. No Rio Grande do Sul, o percentual é ainda maior: 82%. E, ainda, o público 60+ tem presença ativa nas redes sociais. O Facebook soma 31,6 milhões de usuários e o Instagram, 7,8 milhões. “Sua marca deve estar onde o consumidor 60+ está e levar em consideração as características de consumo”, sugeriu Henkel.
Pessoas com 60 anos ou + são mais racionais, ou seja, analisam mais antes de comprar, e muitas vezes desistem da compra. “O impulso cede lugar ao controle”, justificou. Martin Henkel disse que os novos avós têm novos hobbies. Os preferidos das mulheres, nesta faixa etária, são atividades físicas e participar de grupos, conversar e sair com amigos. Os homens também preferem atividades físicas, mas valorizam assistir TV e ver filmes.
Nos novos tempos, também as regras são outras: a atenção auditiva está ligada na atenção visual, ou seja, ganha importância a imagem na hora de se informar ou se entreter.
Se a Geração Z (16 a 28 anos) atribui novos significados para expressões usadas no dia a dia, os 60+ mantêm inalterado o significado de termos ou ícones usados na comunicação. Um exemplo da diferença de linguagem entre as gerações é o ícone ‘joinha’, o polegar direito virado para cima muito usado no whatsapp. Para os 60+, significa ok, muito bom, concordo e parabéns. Para a Geração Z, entretanto, quer dizer ‘obrigado por fazer o mínimo’. É um ok bem mais ou menos e uma resposta rude.
Oportunidades da economia prateada
São muitos os serviços beneficiados pelo crescimento dos 60+. De saúde e bem-estar a amor e sexualidade, há inúmeras oportunidades para as empresas com o envelhecimento das pessoas. Muitas marcas já se posicionaram neste mercado, como a Cooperativa de Crédito Sicredi, que agora tem gerentes de longevidade, e a Unimed Vale do Sinos, que lançou o Senior Living Unicco, um complexo de moradia assistida e alto padrão para o público 60+ em Novo Hamburgo.
Jornada de compra do shopper 60+
A jornada de compra do shopper 60+ no varejo físico sofre alterações com o avanço da idade. Conforme Martin Henkel, conhecimento, percepção de marca e localização ganham relevância na pré-compra. Na compra, o layout da loja, a sensação de ser bem-vindo e a facilidade de identificar o ponto de interesse têm mais importância, assim como a satisfação e a resolução de problemas após a compra. “Os 60+ já são responsáveis por 24% do consumo familiar de bens e serviços, e isso tende a crescer”, conclui o palestrante

Jornalista e Coordenadora de Conteúdo do Portal São Leopoldo Negócios & Cia | Reg.Prof. 8228/95 | imprensa@slnegociosecia.com.br | (51)981846227
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