Entidades empresariais do RS demonstraram preocupação com o futuro caso o tarifaço continuar | Foto: Elizabeth Renz
São Leopoldo sediou nesta quarta-feira (10) o encontro “Impactos das Tarifas dos EUA – Como superar esse desafio?”, promovido pelo Centro das Indústrias, em São Leopoldo. O evento reuniu lideranças empresariais, representantes sindicais e especialistas para analisar os efeitos das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano às exportações brasileiras.
O economista Igor Morais, do SIMECS e diretor da Vokin Investimentos, abriu os debates apresentando um panorama histórico da diplomacia comercial do Brasil. Ele lembrou que o país sempre manteve postura de neutralidade em conflitos internacionais, respeitando apenas sanções multilaterais da ONU, mas mantendo exportações em casos de embargos unilaterais. Morais também destacou que, embora a China seja hoje o principal destino dos produtos brasileiros, os Estados Unidos seguem como parceiros estratégicos, sobretudo na importação de manufaturados — como metais, máquinas, alimentos e químicos.
Os números já evidenciam os prejuízos recentes. Em agosto, o Brasil registrou o pior resultado para o mês desde 2024, com retração de US$ 628 milhões nas exportações em relação ao mesmo período do ano anterior. No Rio Grande do Sul, as perdas foram ainda mais expressivas: queda de US$ 29,6 milhões, sendo 93% desse recuo explicado pelo setor metalmecânico. O segmento foi o mais afetado, acumulando retração de US$ 350 milhões em comparação a agosto de 2024, equivalente a 56% da redução nacional.

Outro setor duramente atingido é o calçadista. Segundo Haroldo Ferreira, presidente da Abicalçados, os embarques para os Estados Unidos caíram quase 20% em agosto, comprometendo empregos principalmente no RS, maior exportador do produto. “Muitos fabricantes estão buscando novos mercados, mas esse processo é lento. Os calçados produzidos no Estado têm características muito específicas, o que dificulta a substituição imediata do mercado norte-americano”, alertou.
O painel, mediado por Thomaz Nunnenkamp, presidente do Sindicato das Empresas do Complexo Industrial da Saúde no RS, contou com a participação de nomes como Sérgio Bolzan Panerai (AICSul), Daniel Gonçalves de Amorim (Calçados Tabita), Caroline Goulart Costella Foerth (Fercorte), Leonardo Souza De Zorzi (Sindimadeira RS), Cleomar Prunzel (Stihl), Fabrício Pinheiro da Silva (Ecoespuma) e Nestor Giordani (Tramontina Multi). Todos foram unânimes ao destacar a preocupação com a queda dos embarques para os Estados Unidos e seus reflexos no quadro de pessoal, com medidas emergenciais como férias coletivas já sendo adotadas.
A diplomacia foi a solução apontada por todos como a melhor alternativa para solucionar o embargo. De Zorzi, por exemplo, apontou que alguns segmentos do setor da medeira têm dependência quase total das vendas para os EUA. “São mais de trinta anos de comercialização para aquele mercado e certamente esta história terá outro final se anda for feito pra reverter a taxação”, lamentou.
Manifesto ao Governo Federal

Encerrando o encontro, foi apresentado um Manifesto Institucional, lido por Marlos Schmidt, vice-presidente da Abrameq. O documento, que será validado e depois assinado pelas entidades, pede ao governo federal maior empenho nas negociações com os EUA para reverter as tarifas adicionais e reforça que as medidas de crédito e apoio anunciadas até agora são insuficientes para preservar a competitividade da indústria brasileira. O texto, que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também alerta para a necessidade de proteger cadeias produtivas e garantir empregos, especialmente no Rio Grande do Sul, onde os efeitos do tarifaço têm sido mais severos.

Jornalista e Coordenadora de Conteúdo do Portal São Leopoldo Negócios & Cia | Reg.Prof. 8228/95 | imprensa@slnegociosecia.com.br | (51)981846227
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