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Tarifaço americano e a perdas para São Leopoldo

 

Estados Unidos é o maior comprador dos produtos leopoldenses

 

 

As exportações de peças, ferramentas pneumáticas, armas e couros renderam para São Leopoldo divisas na ordem de US$ 469 milhões em 2024. Deste total, os Estados Unidos foi responsável por 38,5%, isto é, US$ 181 milhões. Já de janeiro a junho deste ano, o município registrou US$ 257,8 milhões em divisas, sendo que as vendas para os norte-americanos equivaleram a 35%. Caso se confirme a elevação da tarifa de importação para 50% – a partir de 1 de agosto – estes resultados poderão sofrer um forte revés, colocando em risco a economia local.

 

Para efeitos comparativos, a Alemanha detém 11,9% da fatia internacional e a China, 6,58%.

O CEO Global da Taurus, Salésio Nuhs, alertou nesta quinta-feira, 17, em entrevista ao programa Tá na Hora, do Berlinda News, que caso a tarifa seja mantida, a empresa estuda transferir sua operação do Brasil para os EUA, o que pode representar o fechamento da fábrica de São Leopoldo, onde trabalham diretamente três mil pessoas. Ele considera que a medida é para garantir a sobrevivência da empresa diante da inviabilidade econômica causada pela taxação. “Não existe margem que possa cobrir uma taxação de 50%.”, afirmou. Ele estima que o impacto para a cadeia produtiva será ainda maior, pois envolve em torno de 15 mil pessoas  que atuam em setores como transporte, metalurgia e serviços diversos.

“Do ponto de vista de emprego e renda para o município, é uma tragédia. E a nossa maior preocupação é a falta de habilidade do governo brasileiro em negociar essa situação com os Estados Unidos.”, completou.

O presidente do Sindimetal, Sérgio Galera, apontou que o setor metalmecânico será o mais impactado também em nível estadual. Isso porque grande parte das exportações da categoria tem os Estados Unidos como destino.

Segundo dados do Comex/MDIC, peças e ferramentas pneumáticas representam 47% do total exportado pelas fábricas de São Leopoldo. Armas e aparelhos semelhantes representam 20%.

Galera pontua que a cadeia produtiva da cidade é interligada, uma vez que empresas pequenas fornecem peças e serviços para exportadoras. Caso ocorrer uma retração nos pedidos, haverá um efeito cascata que impactará nos mais diversos setores.

Daniel Klafke, presidente da ACIST-SL, acrescenta que embora a taxação seja inicialmente uma medida aplicada sobre o importador americano, o efeito imediato é a retração de investimentos e paralisação de projetos em São Leopoldo e em todo o Rio Grande do Sul.

Os dirigentes cobram uma atuação mais firme da diplomacia brasileira. Segundo eles, ainda não há sinal claro de negociação do governo federal com os EUA. Salésio Nuhs também destacou o clima de insegurança jurídica instaurado pela falta de clareza do governo brasileiro e a ausência de respostas práticas para evitar que a taxação se concretize. Tanto empresários como trabalhadores estão com receio do que está por vir. “O risco de perdermos mercados e indústrias é real. Não se trata de alarmismo, mas de prever o que pode acontecer”, concluiu Galera.

 

Exportações em 2024

 

Exportações de janeiro a junho de 2025

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