Implantação da usina da CRVR recebeu investimentos de R$ 95 milhões para produzir biometano a partir de aterro sanitário
São Leopoldo deu um novo passo no aproveitamento energético dos resíduos urbanos nesta quinta-feira, 13 de agosto, quando foi oficialmente inaugurada a Biometano São Leopoldo, empreendimento instalado junto à unidade da Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), no bairro Arroio da Manteiga.
A planta integra os investimentos do Grupo Solví, que em 2025 já havia iniciado a operação de um complexo similar no município de Minas do Leão. Apesar de realizar agora a inauguração do seu novo empreendimento, a estrutura leopoldense está funcionando desde junho, com capacidade inicial para produzir 24,3 mil metros cúbicos ao dia de biometano. O biocombustível é proveniente da purificação do biogás, gerado a partir de insumos orgânicos, e pode substituir o uso do gás fóssil. O investimento do Grupo Solví na iniciativa foi de aproximadamente R$ 95 milhões. O biogás que é utilizado como matéria-prima vem de um aterro sanitário local (da empresa CRVR) e a compradora do biometano gerado é a companhia Ultragaz. Futuramente, a perspectiva é de que a unidade em São Leopoldo seja ampliada, podendo chegar a um patamar próximo aos 34 mil metros cúbicos diários do biocombustível (em equivalência energética, corresponde a aproximadamente 6 mil botijões de gás de cozinha de 13 quilos diariamente).
A cerimônia contou com a presença do governador Eduardo Leite, que destacou o potencial do Estado para transformar resíduos em uma nova fonte de energia. Apesar de não possuir produção própria de gás natural, tem nos resíduos urbanos uma oportunidade para atender parte da demanda energética. “Com as plantas da CRVR, teremos a condição de geração de até 10% da demanda do Estado em gás” afirmou Leite.
O prefeito Heliomar Franco apontou que a escolha de São Leopoldo para receber um empreendimento desta dimensão confirma não apenas o crescimento, como o potencial estratégico da cidade e sua capacidade de atrair recursos ligados à inovação, à tecnologia e ao desenvolvimento econômico. “Este investimento une desenvolvimento, geração de energia limpa, tecnologia e responsabilidade ambiental. Receber uma estrutura como esta mostra que estamos no caminho certo, criando um ambiente capaz de atrair investimentos e novas oportunidades”.
Energia renovável produzida a partir do lixo
O combustível será produzido a partir do biogás formado naturalmente pela decomposição da matéria orgânica existente nos resíduos depositados no aterro sanitário. Esse gás passa por um processo industrial de purificação para elevar a concentração de metano e remover componentes indesejáveis, transformando-se em biometano. A unidade da CRVR em São Leopoldo recebe resíduos de cerca de 58 municípios e já conta com uma planta de triagem semimecanizada, com capacidade para processar 15 toneladas por hora, além de geração de energia elétrica a partir do biogás. Com a nova usina, a estrutura amplia o aproveitamento dos resíduos e fortalece a economia circular.
De acordo com Salamoni, a escolha pelo município levou em conta o potencial estratégico da região, que abriga um polo industrial relevante, ampliando as possibilidades de uso do biometano em larga escala. “Com a inauguração desta unidade, reforçamos nosso compromisso de expandir soluções que unem descarbonização, circularidade e segurança no fornecimento de energia para diferentes setores, além de gerar empregos e desenvolver a economia local”, completou.
A nova operação representa também uma mudança de escala no aproveitamento energético realizado em São Leopoldo. A CRVR já utiliza o biogás produzido na unidade para geração de eletricidade. Em 2023, a empresa inaugurou no município uma estação de triagem e uma usina termelétrica, projetos que somaram investimentos de R$ 27 milhões. Com a produção de biometano, o mesmo ciclo de decomposição dos resíduos passa a gerar um combustível com maior diversidade de aplicações.
A unidade do Vale do Sinos será a segunda planta de biometano de aterro sanitário em funcionamento no Rio Grande do Sul. A primeira entrou em operação em setembro de 2025, em Minas do Leão, também instalada em uma unidade da CRVR. A Biometano Sul possui capacidade de produção de 66 mil metros cúbicos por dia e recebeu investimento de R$ 150 milhões.

Jornalista e Coordenadora de Conteúdo do Portal São Leopoldo Negócios & Cia | Reg.Prof. 8228/95 | imprensa@slnegociosecia.com.br | (51)981846227
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