Evento debateu estratégias para impulsionar desenvolvimento econômico
Nesta semana (terça-feira,15), o Parque Tecnológico Tecnosinos sediou o evento “Avança São Léo: Caminhos para o Desenvolvimento Econômico”, iniciativa que reuniu representantes da Prefeitura, Governo do Estado, ACIST-SL e Unisinos para debater políticas públicas e projetos de impacto direto no desenvolvimento da cidade. O foco é acelerar o crescimento econômico e estruturar um ambiente de negócios mais atrativo, unindo poder público, setor produtivo e instituições acadêmicas.
Organizado pela Prefeitura Municipal por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Tecnológico (SEDETTEC), e da Câmara Temática do Desenvolvimento Industrial, o encontro teve apoio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e do Tecnosinos.
Educação como eixo estratégico
O reitor da Unisinos, Pe. Sérgio Mariucci, deu as boas-vindas, destacando que a universidade tem papel fundamental na transformação socioeconômica do município. “A presença da universidade deve ser tangível, conectada às demandas reais da sociedade e do setor produtivo. A articulação entre academia, empresas e poder público é o caminho para gerar empregos de qualidade e aumentar a atratividade da cidade”, afirmou.
Obras para estimular o desenvolvimento
Heliomar Franco destacou obras realizadas em sua gestão, principalmente as voltadas à contenção de enchentes e alagamentos. Ele também apresentou o projeto Complexo Ilha, que foi mostrado recentemente na cidade alemã de Bad Neuenahr-Ahrweiler, com previsão de investimento de R$ 200 milhões.

Segundo Franco, o projeto será detalhado à comunidade leopoldense em outubro, durante a visita de uma comitiva alemã. A proposta contempla os principais ativos da cidade e posiciona São Leopoldo nos cenários gaúcho, brasileiro e internacional. O foco central é a chamada “Ilha”, que inclui a Rua da Praia e áreas adjacentes à BR-116, além do ginásio de esportes, a ponte férrea, o Museu do Trem, o Distrito Criativo (em parceria com a universidade), a Rua Independência revitalizada e outros espaços com potencial turístico.
A vice-prefeita Regina Caetano complementou destacando iniciativas da SEDETTEC, tais como os programas MEI nos Bairros e SEDETTEC nas Empresas, além de ações voltadas à preparação de jovens para o mercado de trabalho, incentivo ao turismo religioso e valorização da herança da colonização alemã.

“Estamos trabalhando para que empresas venham gerar mais empregos, e fazendo com que estas empresas tenham este olhar para o futuro que está sendo desenvolvido aqui em São Leopoldo”, afirmou Regina. Ela reforçou que a gestão municipal atua em conjunto com o poder público, o setor empresarial e instituições como a Unisinos e o Tecnosinos, buscando inserir tecnologia e inovação na indústria local.
Setor empresarial destaca ambiente favorável a investimentos

Representando o setor empresarial, o presidente da Acist-SL, Daniel Klafke, reforçou a importância dessas iniciativas no contexto pós-enchentes. Ele revelou que São Leopoldo teve uma perda econômica de aproximadamente R$ 180 milhões no período das cheias, a terceira maior do Estado, atrás apenas de Canoas e Porto Alegre.
“Mais do que nunca, ações de desenvolvimento são essenciais. Precisamos fazer o crescimento econômico pulsar na cidade, porque estamos carentes disso. A prosperidade das empresas se reflete na saúde, na educação, na segurança e no bem-estar da população”, afirmou Klafke.
Estado reforça apoio à agenda de desenvolvimento
Ernani Polo, secretário Estadual para o Desenvolvimento Econômico, apresentou o Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável, instrumento concebido para alavancar a economia do Rio Grande do Sul, cuja perspectiva é de duplicar e, em cenário otimista, triplicar a taxa anual de crescimento do PIB gaúcho nos próximos anos.
Planejado para orientar o desenvolvimento com projeções que vão até o ano de 2040, o projeto foi estruturado a partir de um estudo da consultoria McKinsey e definiu 12 grupos de produtos e serviços com potencial de impulsionar a produtividade. Nesse rol, os mercados da cadeia agropecuária e da transição energética serão as principais apostas para agregar valor na economia gaúcha.
A estratégia de selecionar produtos e serviços prioritários para o crescimento compreende quatro perspectivas econômicas:
Sustentação – Inclui produções que já são relevantes na economia gaúcha e podem ser alavancadas
Ascensão – Considera as vantagens competitivas do RS para agregar valor em produtos e serviços com demanda em crescimento
Inovação – Visa aproveitar oportunidades atreladas a macrotendências globais nas quais o RS tem potencial
Manutenção – Setores sem grande perspectiva de ascensão, mas que contribuem com geração de emprego e renda e promoção da identidade cultural e regional
O estudo mapeou 12 setores estratégicos para alavancar a economia nos próximos anos, que se enquadram nos conceitos das perspectivas econômicas:
Cadeia agropecuária – Grãos, carnes, leite, processamento de alimentos, melhoramento genético, produção de sementes de leguminosas e biotecnologia.
Máquinas agrícolas – Tratores, colheitadeiras, máquinas automatizadas conectadas à internet e de agricultura de precisão.
Fertilizantes – Produção de diferentes formas, que vão da convencional, com matéria-prima importada, até a exploração de pedras fosfáticas, fertilizantes verdes, biofertilizantes e nanofertilizantes.
Produtos regionais de nicho – Vinhos, espumantes, azeites e noz pecã.
Silvicultura, papel e celulose – Produção de celulose, papéis e embalagens, produtos de madeira, biomateriais, nanocristais e nanofibras
Produtos de transição energética – Biodiesel, energias renováveis, etanol, biogás, biometano, hidrogênio verde e combustível sintético
Máquinas, equipamentos e semicondutores – Máquinas para indústrias, eletrodomésticos, equipamentos para energias renováveis, semicondutores e novos materiais, como o grafeno
Automotivo e cadeia – Veículos convencionais, como automóveis, motocicletas e ônibus, peças, carros e ônibus elétricos, sistemas eletrônicos e novos materiais.
Cadeia petroquímica – Resinas, polímeros reciclados, fibras sintéticas, produtos plásticos, polímeros verdes, bioplásticos e plásticos degradáveis
Turismo – Serviços tradicionais como alimentação, acomodação e transporte, novos polos e oferta de serviços digitais, inteligentes e automatizados
Saúde – Equipamentos de diagnóstico básicos e por imagem, equipamentos de precisão, equipamentos para terapias (incluindo celular e genética), produção de fármacos, medicamentos e terapias avançadas e materiais médicos.
Produtos e serviços digitais – Prestação de serviços de TI, data centers, desenvolvimento de softwares, soluções setoriais e investimento em inteligência Artificial (IA).
Câmara Temática atua no desenvolvimento industrial
O assessor da Câmara Temática de Desenvolvimento Industrial, Denir Machado, detalhou a estrutura e os eixos estratégicos da iniciativa que reúne representantes do poder público, sindicatos, setor produtivo e instituições de ensino para estruturar ações coordenadas de fomento à indústria local.
Segundo Denir, a Câmara Temática, instituída por decreto municipal, foi criada com o propósito de promover diagnósticos e ações capazes de modernizar a indústria de São Leopoldo, gerar empregos, estimular a inovação e ampliar a inclusão social. O plano está organizado em três grandes frentes de atuação: Educação & Formação Profissional, Comunicação e Atratividade.
Educação como motor do desenvolvimento – Um dos focos centrais do plano é ampliar o acesso à formação profissional para jovens e adultos em situação de vulnerabilidade, especialmente na faixa etária entre 20 e 35 anos. “Queremos conectar a educação com as reais demandas da indústria, oferecendo cursos, feiras de oportunidades, calendário de eventos e formação de professores para fortalecer essa relação com o mercado de trabalho”, explicou Denir.
Comunicação estratégica para atrair e engajar – Outro eixo importante é a construção de uma identidade visual e de canais de comunicação para a Câmara Temática, com presença nas redes sociais e lançamento de um site oficial. O objetivo, conforme Denir, é “dar visibilidade às ações, aproximar empresas e trabalhadores e mostrar o potencial de São Leopoldo como destino para novos investimentos”.
Cadeias produtivas e Indústria 4.0 – O plano também contempla o fortalecimento das cadeias produtivas locais, com atenção especial aos segmentos de máquinas-ferramentas, produtos bélicos e itens de borracha. Denir destacou ainda a necessidade de preparar pequenas e médias empresas para o fornecimento interno e a incorporação de tecnologias da Indústria 4.0 como diferencial competitivo.
Além disso, estão em andamento diagnósticos sobre os principais desafios e oportunidades na atração de novas empresas, sem comprometer a competitividade dos segmentos já instalados no município.
Resultados – Entre as ações já realizadas entre 2023 e 2024, Denir Machado destacou iniciativas como o programa Qualifica Indústria, o SENAI Lab, que atendeu 450 alunos com investimento de R$ 1,2 milhão, além do curso PROEJA em Fabricação Mecânica e o projeto Conectando Saberes, do SESI. Também foram feitos estudos sobre a posição estratégica da cidade como polo industrial e inteligente, com investimentos superiores a R$ 2,4 milhões via FUMDESI.
São Leopoldo também marcou presença na Mercopar, maior feira de inovação industrial do sul do país, com apoio financeiro da Câmara Temática nos anos de 2023 e 2024.
Reforma Tributária impacta nas pequenas empresas
Com a aprovação da Reforma Tributária em curso no Brasil, as pequenas empresas devem se preparar para um novo cenário de regras fiscais. A avaliação é da procuradora-geral do município de São Leopoldo, Fernanda Luft.

Segundo Fernanda, o novo modelo de tributação, que prevê a substituição de diversos tributos por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), pode reduzir a complexidade do sistema atual. “A legislação será unificada, mas o cumprimento das obrigações acessórias e o acompanhamento do fluxo de créditos e débitos fiscais será um ponto de atenção”, destacou.
A procuradora lembra que, embora o Simples Nacional deva ser mantido, ele poderá sofrer ajustes em sua estrutura para se alinhar ao novo sistema. “É fundamental que o pequeno empreendedor entenda o que muda para o seu porte e setor de atividade. O que hoje é vantagem competitiva pode, eventualmente, deixar de ser”, pontua.
Impacto regional – No contexto de cidades como São Leopoldo, com forte presença de micro e pequenos negócios, a Reforma Tributária terá efeito direto na base econômica local. “Estamos acompanhando de perto os desdobramentos da regulamentação da Reforma e trabalhando para garantir que os empreendedores da nossa região tenham acesso à informação clara, capacitação e segurança jurídica”, afirmou Fernanda.

Jornalista e Coordenadora de Conteúdo do Portal São Leopoldo Negócios & Cia | Reg.Prof. 8228/95 | imprensa@slnegociosecia.com.br | (51)981846227
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