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El Niño e seus efeitos no Vale do Sinos são apresentados em São Leopoldo

Câmara de Vereadores de São Leopoldo realizou, nesta segunda-feira, 8 de junho, uma audiência pública para debater os estudos climáticos do fenômeno El Niño, que deverá atingir o Estado gaúcho nos próximos meses | Foto: Elizabeth Renz

 

Assista AQUI o conteúdo completo da audiência pública.

O tema é de grande relevância para São Leopoldo, que foi duramente impactado pela enchente de 2024, quando milhares de pessoas foram diretamente atingidas. O encontro, proposto pelo vereador e líder do governo no Legislativo, Daniel Daudt (PL), registrou ampla participação do público. Entre os presentes, esteve o prefeito Heliomar Franco, a equipe da Defesa Civil do município, estudiosos do tema, representantes de instituições públicas e privadas – como ACIST-SL, CDL São Leopoldo e ASSEMPLIFE, membros do Movimento Pró-Dique, vereadores e secretários municipais.

Heliomar Franco destacou que  o assunto deve ocupar o centro das discussões e do debate público. “A enchente de 2024 deixou uma lição muito clara: não podemos mais tratar as mudanças climáticas como um problema distante. Esse encontro ressalta a responsabilidade que os gestores têm de se apropriar do tema e agir com antecipação. A ciência é fundamental nesse processo”, declarou.

O vereador Daniel Daudt trouxe como palestrantes convidados o pesquisador e pós-doutor em Direito Ambiental e dos Desastres pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Delton Carvalho, e a mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo e sócia-diretora da Metsul, Estael Sias.

Delton Carvalho, advogado especialista em Direito Ambiental | Foto: Elizabeth Renz

Carvalho deixou clara a influência humana em eventos extremos. “Não existem desastres naturais. Para que eles ocorram, além do risco climático, são necessários fatores humanos. Por isso, os governos e autoridades têm um papel fundamental para mitigar e prevenir esses cenários”, enfatizou.

Para o pesquisador, o desastre é consequência de dois fatores: risco e vulnerabilidade, sendo o último frequentemente ignorado em planos e ações de prevenção. “Certos grupos e localidades estão mais propensos e expostos a sofrerem um desastre. Isso precisa ser levado em consideração quando pensamos em medidas de prevenção e atuação nestes cenários”, pontuou.

Carvalho aconselhou que os gestores municipais estudem a Lei 12.608/2012, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC, dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil – SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil – CONPDEC, e autoriza a criação de sistema de informações e monitoramento de desastres. Ele ressalta que, pela lei, compete à União rpomover ações de coordenação, apoio e financiamento. Aos Estados, ações de interesse regional, como o monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico das áreas de risco. Já os municípios são responsáveis por medidas de interesse local, como mapear e fiscalizar as áreas de risco de desastres e vedar novas ocupações nessas áreas. “Neste caso, o Legislativo municipal terá papel fundamental, pois este mapeamento dependerá do Plano Diretor da cidade”, aponta.

Enchente de 2024 foi resultado de múltiplos fatores climáticos

Estael Sias, meteorologista e sócia da Metsul | Foto: Elizabeth Renz

A pesquisadora Estael Dias apresentou dados sobre a influência do El Niño nos últimos anos e as projeções para 2026 e 2027. “A enchente de 2024 foi resultado da soma de diversos fatores, não apenas deste evento climático. Entre eles, o superaquecimento do Oceano Atlântico, uma bolha calor formada no Centro do país e uma massa de ar gelado na Argentina, que contribuíram para que um corredor de umidade ficasse estagnado em nossa região”, explicou a especialista.

Sobre as projeções para os próximos meses, alguns modelos climáticos apontam que a intensidade do El Niño deve superar o de 1997, o que não se relaciona diretamente às consequências que o fenômeno trará. “A previsão para São Leopoldo nos próximos 45 dias é que as janelas de tempo seco diminuam em julho e a chuva se torne mais frequente. A previsão é de cerca de 136 mm por mês, dentro da média. Já na projeção para os próximos seis meses, a tendência é que haja mais precipitações de setembro a novembro. A média total prevista para o segundo semestre é de mil milimetros”, declarou.

Município avança nas obras de proteção contra cheias

A diretora de Captação de Recursos, Sandra Toledo, apresentou as obras e projetos que foram executados e os que ainda estão em desenvolvimento na cidade, visando fortalecer o sistema de proteção às cheias.

Entre as intervenções citadas, está a obra do Dique da Vicentina, que já está em execução. Segundo a gestora, um estudo foi encaminhado ao Governo do Estado para que as medidas de reestruturação também sejam executadas no outro lado da Casa de Bombas, onde se formou uma rachadura. “Recebemos a visita dos técnicos no dia 20 de maio. O projeto já está em fase de análise final para que os recursos sejam creditados na conta do município e a obra seja executada”, declarou.

Em relação à elevação do muro do Arroio Cerquinha, a gestora esclareceu que, apesar do repasse para a intervenção já estar autorizado, ainda é necessário aguardar o laudo que irá determinar a estabilidade da estrutura. “Somente com esse documento o recurso poderá ser utilizado, pois ele determinará se será necessário apenas uma obra de melhoria ou a execução de um novo muro”, esclareceu Sandra.

Sobre o Dique da Feitoria, foi explicado que o projeto agora está incluso em um grande estudo sobre as bacias do Rio Grande do Sul, que está sendo realizado pelo Governo do Estado. “Cremos que, dessa forma, ele irá avançar mais rapidamente”, declarou a gestora.

A última fala da audiência, antes das manifestações dos vereadores e do público presente, foi do superintendente da Defesa Civil, coronel Uberti Moreira, que apresentou o Plano de Contingência de Proteção do município (PLACON). O documento foi atualizado em 2025 e, desde então, passa por atualizações constantes, conforme novas observações e estudos, que envolve o trabalho de todas as secretarias do município.

A nova versão do plano amplia a abrangência de situações de emergência, incorporando cinco grupos de cenários, locais de abrigo e fuga. Esta inclusão visa aprimorar a capacidade de resposta do município diante de diferentes tipos de desastres, garantindo maior segurança à população.

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