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Debate reforça a urgência do enfrentamento à violência contra a mulher no RS

O encontro promovido pela ACIST-SL e Consepro reforçou que prevenção, informação,  acesso rápido à rede de proteção e empoderamento da mulher são ferramentas para romper o ciclo da violência antes de resultar em novas tragédias

O avanço dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul motivou um encontro entre forças de segurança, representantes do poder público, entidades empresariais e comunitárias, na manhã desta quinta-feira (29), na sede da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Tecnologia de São Leopoldo (ACIS-SL).  O debate foi mediado pelo presidente do CONSEPRO, Rogério Daniel da Silva e integrado pelo secretário municipal de Segurança Pública, Alexandre da Rosa, pelo delegado Eduardo Hartz, diretor da DPRM e pelo major Juliano Giboski, subcomandante do 25º Batalhão de Polícia Militar.

Em apenas 22 dias de 2026, o Estado contabilizou onze feminicídios (sendo o último ocorrido ainda na manhã desta quinta-feira). Embora São Leopoldo não tenha registrado feminicídios neste início de ano, os dados apresentados durante o painel reforçaram a necessidade de intensificar ações preventivas e ampliar o debate público sobre a violência contra a mulher. “Os números fugiram completamente da curva. Em 21 dias, dez feminicídios no Estado. Isso exige uma resposta imediata da sociedade”, afirmou Rogério Daniel

Os indicadores locais apontam aumento da violência doméstica. Somente em janeiro, o município registrou 14 prisões relacionadas a esse tipo de crime e 114 pedidos de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs), um crescimento de 11% em comparação com o mesmo período do ano passado.

“O feminicídio é um crime silencioso. Em 75% dos casos não houve denúncia anterior e, em 94%, não existia medida protetiva. Isso mostra que o ciclo da violência começa muito antes e, muitas vezes, não é interrompido a tempo”, alertou.

Informação e acesso à rede de proteção são fundamentais

Representando a Polícia Civil, o diretor da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, delegado Eduardo Hartz, ressaltou que encontros como esse são essenciais para informar as mulheres sobre os serviços disponíveis e fortalecer a rede de proteção. “A violência não começa com o feminicídio e sim com agressões psicológicas, ameaças e controle. Quanto mais cedo a mulher acessar a rede de apoio, maiores são as chances de evitar o desfecho mais grave”, explicou.

O delegado também observou que o aumento no número de registros pode indicar maior confiança das vítimas em buscar ajuda. “Mais registros nem sempre significam mais violência, mas sim maior conscientização e acesso aos serviços”, destacou.

Patrulhas especializadas ampliam prevenção

O major Juliano Giboski, subcomandante do 25º Batalhão de Polícia Militar, detalhou a atuação das Patrulhas Maria da Penha, responsáveis pelo acompanhamento das medidas protetivas no município. “A violência doméstica acontece, muitas vezes, de forma velada, dentro de casa. Por isso, o policiamento especializado é fundamental”, afirmou.

Em janeiro de 2026, a Patrulha Maria da Penha cadastrou 43 vítimas em São Leopoldo, além de 11 em Portão e três em Capela de Santana. Ao todo, 420 medidas protetivas foram fiscalizadas, resultando em seis prisões por violência doméstica.

Guarda Municipal e ações educativas

A Guarda Civil Municipal atua com o apoio da Ronda Lilás, grupamento especializado no acompanhamento de mulheres em situação de violência. Somente em janeiro, sete prisões foram realizadas pela equipe em São Leopoldo.

O secretário municipal de Segurança Pública, Alexandre da Rosa,  destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige atuação integrada.“Esse não é um tema exclusivo das forças de segurança. É um tema de toda a sociedade”, afirmou.

Atualmente, mais de 600 mulheres são acompanhadas pela rede de proteção no município, com média de 20 a 30 atendimentos diários. Além disso, ações educativas, como palestras e blitz de conscientização, vêm sendo intensificadas. “A meta é clara: zerar os feminicídios”, ressaltou.

Legislativo defende políticas permanentes

Os vereadores Fábio Bernardo (PT) e Iara Cardoso (PDT) participaram do evento e reforçaram a necessidade de políticas públicas contínuas e do engajamento do Legislativo no combate à violência contra a mulher. “O pano de fundo é o machismo e precisamos engajar os homens neste processo”, disse Iara. Já Bernardo destacou a criação da Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres e defendeu a união entre poder público, setor empresarial, forças de segurança e sociedade civil.

Empoderamento da mulher é fundamental

Em muitos casos, a permanência da mulher no ambiente abusivo vem do medo de não conseguir manter a família, seja emocional ou financeiramente, fazendo com que não acionem as medidas de segurança ou até mesmo, solicitando o seu cancelamento. Promover o empoderamento desta mulher é um dos desafios do poder público. Em São Leopoldo, está sendo criado o Centro Gastronômico, projeto que que unirá  cozinhas sociais, formação profissional e inserção no mercado de trabalho focado em mulheres vítimas de violência doméstica. Segundo Simone Dutra, secretária de Assistência Social, o centro funcionará como uma escola prática de gastronomia, com cursos experimentais, formação técnica e acompanhamento profissional. As participantes serão capacitadas para atuar em cozinhas sociais, restaurantes, eventos, serviços de alimentação coletiva e também para empreender.

Já a juiza Rebecca Ronquetti Fernandes, do juizado da Violência Doméstica de São Leopoldo, ressaltou a urgência e importância de fortalecer entidades como o Centro Jacobina, núcleo de referência para atendimento às mulheres em situação de violência em São Leopoldo, que presta acolhimento, atendimento, acompanhamento psicossocial e jurídico às mulheres, mulheres transexuais e travestis em situação de violência doméstica e de gênero. “É neste local que ela precisa acessar todas as informações que precisa para levar adiante a sua defesa”, ressaltou. Ela aponta ainda a necessidade de unificar as ações e campanhas.

Como denunciar e pedir ajuda

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelos telefones 153 (Guarda Municipal), 190 (Brigada Militar) e 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em São Leopoldo, também está disponível o Telefone Lilás: 0800 541 0803.

O atendimento presencial pode ser buscado no Centro Jacobina (Rua Brasil, 784, Centro), pelos telefones (51) 3592-2184, 3566-1777 ou (51) 99788-3212. Já a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) funciona na Rua São Paulo, 970, com contatos pelo telefone (51) 3579-0447 ou WhatsApp (51) 98681-9992.

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