Evento da Federasul avalia os efeitos do tarifaço de 50% nos setores de tabaco e calçados, a medida do BRDE e a relação entre Brasil e EUA | Foto: Elizabeth Renz
Empresas gaúchas ligadas às cadeias produtivas metalmecânica, moveleira, calçadista e alimentícia já começaram a solicitar financiamentos do programa de auxílio aos exportadores lançado pelo Governo do Estado, criado para amenizar os efeitos da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O anúncio foi feito pelo presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Ranolfo Vieira Junior, durante o Tá na Mesa da Federasul, nesta quarta-feira (6).
O programa disponibiliza R$ 100 milhões em crédito com juros subsidiados — IPCA mais 4% ao ano —, prazo de cinco anos para pagamento e 12 meses de carência. Ranolfo admitiu que o montante tem caráter paliativo diante do impacto econômico, mas ressaltou que a medida busca oferecer fôlego imediato às empresas exportadoras.

O evento reuniu representantes de setores diretamente atingidos: Francisco Turra, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Proteína Anima (ABPA), Priscila Linck, coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados), Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco; e Marcelo Rodrigues (Amcham Brasil).
Pressão política e impactos econômicos
Na abertura, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, atribuiu a crise às tensões diplomáticas entre Brasil e EUA. Segundo ele, as sanções têm potencial para provocar um “impacto social e econômico brutal” no país, especialmente no Rio Grande do Sul.
O diretor da Amcham, Marcelo Rodrigues, alertou para riscos macroeconômicos: retração do PIB, queda nas exportações superiores a US$ 9 bilhões e a possível perda de 110 mil empregos. “O momento exige diálogo e preservação de laços históricos de mais de dois séculos entre as duas nações”, afirmou.
Setor de proteína animal busca novos mercados
Francisco Turra, presidente do Conselho da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), avaliou que o impasse expõe fragilidades na diplomacia brasileira e a falta de acordos bilaterais de livre comércio. Ele apontou que o setor já busca alternativas na África e na Ásia, mas aposta na pressão de consumidores e importadores norte-americanos para reverter a medida. “Nós vamos encontrar uma saída, não tenho dúvida”, disse.
Tabaco: contrato da safra preserva vendas no curto prazo
O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing lembrou que o Brasil é um dos maiores exportadores de tabaco do mundo, tendo negociado com 113 países em 2024, sendo que os Estado Unidos é o terceiro maior destino do produto brasileiro. No primeiro semestre de 2025 mais de 200 mil toneladas foram negociadas no valor de US$ 1,3 bilhão. Somente para os Estado Unidos foram exportadas 40 mil toneladas (2024). De janeiro a junho deste ano, já foram exportadas 19 mil toneladas.
Calçadistas projetam risco de demissões
Para a coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck, o impacto no setor é imediato. Os Estados Unidos representam o principal destino do calçado brasileiro e já há relatos de cancelamento de pedidos. No Rio Grande do Sul, a indústria calçadista é o quinto maior empregador e responde por 3% do PIB da indústria de transformação nacional. “O risco de demissões será avaliado nos próximos 90 dias. Precisamos de medidas emergenciais e de uma articulação rápida”, alertou. Ela estima que cerca de oito mil postos de trabalho no País possam ser cortados caso houver a manutenção da tarifa.

Jornalista e Coordenadora de Conteúdo do Portal São Leopoldo Negócios & Cia | Reg.Prof. 8228/95 | imprensa@slnegociosecia.com.br | (51)981846227
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