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Armas entram na lista da tarifa adicional anunciada por Donald Trump

 

Medida também poderá afetar fornecedores de peças usinadas metálicas e de borracha fabricadas em São Leopoldo, uma vez que veículos e máquinas agrícolas também foram impactados com o tarifaço

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quarta-feira (30) a aplicação de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a alíquota total para 50%. A decisão foi publicada por meio de uma ordem executiva que declara nova emergência nacional e amplia o escopo de restrições comerciais. Armas, café, cacau, carne, tabaco e frutas devem ser tarifados. O decreto passa a valer a partir de 6 de agosto. Outros 694 itens foram isentados da cobrança extra.

O Portal Negócios & Cia entrou em contato com as entidades empresariais sobre a repercussão nas atividades de São Leopoldo, uma vez que 35% do total exportado pelo munícípio são embarcados para os Estados Unidos, principalmente equipamentos elétricos, armas e couros.

Isto porque haverá também efeitos para os fornecedores das indústrias de veículos e máquinas agrícolas, como borrachas especiais e usinagem de peças  feita por várias metalúrgicas locais. Máquinas agrícolas, por exemplo, têm 60% da produção nacional feita no Rio Grande do Sul. Bens de capital, que é o maquinário para indústria, traz o grande baque. Será o setor mais afetado em faturamento por ter ficado de fora das exceções, diz a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A  tarifa de 50% é como um embargo para o setor, acabará com o comércio com os Estados Unidos. Bens de capital são um segmento fortíssimo da indústria do Rio Grande do Sul, somando mais de 20% dos embarques aos Estados Unidos.

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Sergio Patzlaff, presidente do Sinborsul | foto Diego da Rosa

O presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos da Borracha do Rio Grande do Sul (Sinborsul), Sérgio Paztlaff, manifestou forte preocupação. “A lista de exceção não foi favorável para o setor de artefatos de borracha e para nenhum outro que atua na indústria de transformação, que é grande exportadora”, apontou. Segundo ele, a matriz industrial da região trabalha com processos de transformação, de alto valor agregado. “A lista de exceção foi pautada em commodities necessárias para fortalecer as indústrias norte-americanas”, avaliou.

Patzlaff reitera que é necessária a ajuda do governo federal para diminuir os impactos negativos que estão por vir, principalmente na perda de empregos diretos e indiretos. A linha de crédito de 100 milhões anunciada pelo governo não é suficiente para ajudar as empresas impactadas. “Há uma cadeia de prestadores de serviços e de produtos que atuam para os exportadores”, alerta. Na sua opinião, é precisa dar muita importância para a diplomacia e para o diálogo. “Precisamos buscar entendimento e não retaliação, evitando elevar ainda mais a tensão entre os dois países”, assinala.

 

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico de São Leopoldo(SINDIMETAL/RS), Sérgio de Bortoli Galera, manifesta forte preocupação com a perda de empregos caso os governos federal e estadual não adotarem medidas de apoio às fábricas cujos produtos ficaram de fora da lista. “Precisamos pensar em soluções semelhantes às adotadas na pandemia e na enchente de 2024 para manter a viabilidade dos negócios”, assinala. para ele, não é viável a procura de novos compradores de modo imediato para os produtos destinadas primeiramente para os Estados Unidos, devido à especificidade dos mesmos. “São produtos de alto valor agregado diretamente focados para o consumo americano e a busca de novos compradores não é feita de uma hora para outra, além de termos outros competidores”, ressalta, exemplificando com o setor de calçados.

 

Salésio Nuhs, diretor executivo da Taurus | Foto: Ricardo Jaeger/divulgação

Taurus – Desde o início da divulgação do tarifaço, o diretor executivo da Taurus, Salédio Nuhs, vem se manifestando a respeito. Com 82,5% da produção exportada para os EUA, a Taurus, sediada em São Leopoldo, vem reportando as medidas para minimizar impactos da medida. A empresa já concedeu férias coletivas a 40 dos 2,7 mil funcionários. Desde abril, quando surgiu a primeira taxa de importação – de 10% – a empresa transferiu estoques de produtos acabados para sua fábrica no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, com o objetivo de garantir o abastecimento do mercado norte-americano pelos próximos 90 dias.

Para minimizar os impactos financeiros, a Taurus solicitou ao governo do Rio Grande do Sul a liberação antecipada de créditos de ICMS acumulados. Esse é um benefício comum a empresas exportadoras, que compram insumos com imposto embutido, mas não o repassam nas exportações. A Secretaria da Fazenda estadual realiza um estudo para avaliar o impacto da medida e deve apresentar uma resposta em agosto. “Temos um crédito acumulado de ICMS, fruto das nossas compras de matérias-primas. A ideia é que o Estado antecipe esses valores para que possamos manter nossas operações enquanto a questão tributária é negociada”, explicou Salésio Nuhs.

O executivo também já esteve em Brasília, na Embaixada dos EUA, com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o governador do estado da Geórgia nos EUA, onde está localizada a planta americana da Taurus. Ele falou ainda com o gabinete do vice-presidente americano, com o objetivo de sensibilizar sobre a importância de manter a Taurus como uma empresa estratégica de defesa no Brasil, com base também nos EUA.

O governo americano decidiu, porém, isentar 694 itens da cobrança extra. Segundo anexo divulgado pelo governo americano, entre eles estão:

  • suco de laranja
  • aviões e drones
  • castanhas
  • minério de ferro
  • petróleo
  • carvão
  • óleos
  • madeira
  • celulose
  • móveis de metal e plástico

Produtos como madeiracelulose equipamentos elétricos também ficaram de fora.

Aço e alumínio, que já haviam sido taxados em 50% nas importações com origem de todos os países, não foram incluídas na lista.

 

 

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