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Faculdades EST promove encontro sobre comércio justo

 

Evento realizado em São Leopoldo reuniu pessoas da Região Sul e pautou alternativas para uma economia mais solidária e relações de consumo baseadas na justiça social e ambiental

 

O que chega à mesa, à feira e às mãos de quem compra também diz muito sobre o tipo de sociedade que se quer construir. Foi a partir dessa perspectiva que pessoas participantes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná se reuniram nesta segunda-feira (14), na Faculdades EST, em São Leopoldo, para discutir comércio justo, consumo responsável e economia solidária.

O Encontro Comércio Justo e Consumo Responsável reuniu representantes de diferentes iniciativas que buscam aproximar produção, consumo e compromisso social. Ao longo do dia, experiências de grupos e empreendimentos dos três estados foram apresentadas, mostrando como práticas associativas podem contribuir para relações econômicas mais justas e sustentáveis.

Promovido pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e pela Secretaria de Ação Comunitária da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), o encontro teve como um dos eixos a articulação entre justiça socioeconômica e justiça socioambiental. A programação incluiu debates, apresentações culturais e momentos de troca entre os diferentes grupos participantes.

Na abertura, a diretora acadêmica da Faculdades EST, professora doutora Lovani Volmer, representou a instituição e relacionou a proposta do encontro ao cuidado com a Criação, com a terra e com as pessoas. A atividade também contou com representantes da Rede de Comércio Justo e Solidário, da IECLB e da FLD.

Para Lisbet Santos Pinheiro, artesã, afroempreendedora e co-coordenadora do FESPOPE, os encontros são importantes porque permitem que os empreendimentos acompanhem seus avanços, compartilhem dificuldades e encontrem apoio na própria rede. “A gente consegue ver o quanto avança de um encontro para o outro. Pelos bastidores, acaba conversando e falando das dificuldades, trocando experiências sobre as feiras, as novidades e o que cada uma está fazendo. Principalmente entre os estados, a gente consegue se ajudar, se amparar e avançar”, afirma.

Ela também destaca a importância do encontro presencial para fortalecer as mulheres que integram a rede. “Quando a gente ouve o outro, ouve pessoas diferentes, consegue entender que a economia solidária é muito mais. E ver o quanto, de um encontro para o outro, as mulheres vão perdendo a timidez, vão conseguindo conversar, se colocar mais e ganhar confiança é muito importante. Como a maior parte dos empreendimentos é formada por mulheres, essa confiança de acreditar umas nas outras nos fortalece.”

Um dos momentos centrais da manhã foi a apresentação de experiências desenvolvidas por empreendimentos e organizações dos três estados. Entre elas estiveram a Associação Utopia e a Feira Permanente de Economia Solidária de Curitiba, o Centro Público da Economia Solidária de Itajaí, a Vitrine da Economia Solidária de Blumenau e iniciativas de agricultura familiar agroecológica no Rio Grande do Sul e no Paraná.

Também foram apresentadas experiências do Fórum de Mulheres Negras Trabalhadoras da Economia Popular Solidária (FESPOPE), de Porto Alegre, e da Associação de Empreendimentos da Economia Solidária (AESOL), de São Leopoldo. A programação destacou ainda a articulação da AESOL com a comunidade luterana e a Faculdades EST.

Sueli Angelita da Silva, mulher negra, periférica, destaca que participar da organização do encontro representa uma experiência de empoderamento e valoriza as parcerias construídas pela Rede de Comércio Justo e Solidário e a oportunidade de divulgar o trabalho dos empreendimentos. “Muita coisa já aconteceu desde a nossa entrada na Rede: muitas parcerias, encontros, reencontros e muito fortalecimento. Para nós, estarmos aqui nesse espaço é muito gratificante.”

A participante também destaca a força das relações construídas. “São 40 empreendimentos, cada um com a sua diversidade, as suas especificidades, mas, mesmo assim, um fortalecendo o outro. Essa troca é muito boa. A Rede, para nós, é um achado, um ganho, porque a gente está sempre se fortalecendo mais.”

À tarde, a discussão avançou para a construção de propostas. Organizadas por sínodo, as pessoas participantes trabalharam na identificação de ações para fortalecer a justiça socioeconômica e socioambiental e ampliar as parcerias entre instituições da IECLB, organizações da sociedade civil e redes de economia solidária. Entre as questões colocadas estavam como transformar as metas de justiça socioeconômica e socioambiental em ações concretas, como aproximar diferentes grupos e empreendimentos e quais iniciativas poderiam ser colocadas em prática a partir dessas conexões

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