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Indústria gaúcha vê com preocupação nova ameaça tarifária dos Estados Unidos

 

FIERGS e Sindimetal avaliam que a medida amplia a insegurança para os exportadores

A possibilidade de novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros voltou a acender o alerta no setor industrial do Rio Grande do Sul. Tanto a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) quanto o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Rio Grande do Sul (Sindimetal-RS) avaliam que a medida amplia a insegurança para os exportadores e pode comprometer a competitividade das empresas gaúchas em um de seus principais mercados internacionais.

A preocupação surgiu após o anúncio de uma nova investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 relacionada à suposta insuficiência de mecanismos para coibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida se soma a outras barreiras comerciais já adotadas pelo governo norte-americano e reforça um cenário de instabilidade para o comércio exterior.

Presidente da FIERGS, Claudio Bier

Para o presidente da FIERGS, Claudio Bier, a sucessão de investigações e ameaças tarifárias prejudica diretamente o ambiente de negócios. Segundo ele, a falta de previsibilidade dificulta o planejamento das empresas, afeta decisões de investimento e cria obstáculos para a geração de empregos.

De acordo com estimativas da Fiergs, o “tarifaço” imposto por Washington em 2025 já representava uma perda projetada de aproximadamente R$ 2 bilhões para o PIB gaúcho. Com o novo adicional de 12,5%, o cenário se agrava substancialmente.

A entidade destaca que os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações industriais do Rio Grande do Sul e que qualquer aumento de custos para ingresso naquele mercado reduz a competitividade dos produtos gaúchos diante de concorrentes internacionais. A avaliação da FIERGS é de que o momento exige intensificação do diálogo diplomático e comercial entre os governos brasileiro e norte-americano, além de uma atuação conjunta do setor produtivo para demonstrar os impactos negativos das medidas sobre as cadeias produtivas dos dois países.

O mercado americano é o principal destino de produtos acabados de alto valor agregado do Estado. Entre os setores mais afetados e que operam sob forte sinal de alerta estão madeira, móveis e estofados; metalmecânico e tecnologia composto por aço, alumínio, autopeças, peças de máquinas agrícolas, caminhões e semicondutores; e setores tradicionais como couro, calçados e a indústria do tabaco.

No segmento metalmecânico, a apreensão também é significativa. O setor possui forte presença econômica no Vale do Sinos, Vale do Caí, Encosta da Serra e em Canoas, regiões que concentram empresas exportadoras de máquinas, equipamentos e componentes industriais.

Sergio Galera, presidente do Sindimetal RS
Sergio Galera, presidente do Sindimetal RS

O presidente do Sindimetal-RS, Sergio Galera, observa que, embora a sobretaxa cogitada seja inferior às tarifas aplicadas anteriormente, ela continua representando um fator de preocupação para as empresas. Segundo o dirigente, os produtos ligados à base industrial gaúcha voltam a figurar entre os mais afetados pelas medidas comerciais norte-americanas.

Galera avalia ainda que as justificativas apresentadas pelas autoridades dos Estados Unidos não refletem integralmente a realidade do ambiente econômico brasileiro. Na visão do dirigente, o impasse pode envolver interesses comerciais mais amplos e demandará negociações diplomáticas para evitar prejuízos ao setor produtivo nacional.

Apesar do cenário de alerta, o Sindimetal-RS mantém a expectativa de que as negociações entre os dois países avancem antes da definição final das medidas previstas para julho. A entidade acredita que um entendimento pode evitar novas barreiras e preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado norte-americano.

Para a indústria gaúcha, a principal demanda continua sendo a previsibilidade. Em um momento em que o Rio Grande do Sul ainda enfrenta desafios relacionados à recuperação econômica após as enchentes e busca fortalecer sua presença nos mercados internacionais, novas restrições comerciais representam um risco adicional para investimentos, produção e geração de empregos em diversos segmentos industriais do Estado.

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